quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Aprendendo

O primeiro sábado de agosto foi dia de aprender mais... Um dia dedicado a conhecer mais as particularidades de um dos ingredientes principais de nossa querida bebida fermentada, ou seja, o lúpulo!

Elemento crucial na grande maioria das cervejas, seja em quantidades modestas ou em grandes doses cavalares, o lúpulo possui um vasto campo de informações desde sua origem, utilização, propriedades, espécies, aromas, amargores e outra infinidade de informações. Quem nunca tomou uma bela pilsner tcheca e se deliciou com o sabor pontual do clássico lúpulo saaz ou ficou de boca aberta ao beber uma deliciosa IPA americana bombardeada de lúpulos cítricos, cujo aroma antecipa o prazer e o amargor encontrado é a própria perfeição para os lupumaníacos. Esse camaradinha extremamente agressivo e amargo ao paladar promoveu uma verdadeira revolução nas cervejas, que antes de sua utilização, eram "temperadas" com ervas, cascas, e outros elementos para promover sabor e tentar equilibrar o malte residual e álcool da bebida.

Mas é muita informação condensada sobre o assunto. O workshop administrado por Duan Ceola da UDESC, viajou pela história do lúpulo, características, utilização, propriedades específicas, teor de amargor e aroma, além de várias dicas mais que preciosas para quem se dedica ao hobby de fazer a cerveja na panela ou já trabalha de forma profissional com a  béra. Foi um dia muito aproveitado e rico em aprendizado. Um parabéns também a ACERVA PR, pois seus coordenadores é que tornaram possível a realização desse belo encontro... Ah... Claro! Teve ótimas cervejas também e uma gostosa feijoada feita pelo pessoal do Tiwanaku Bar, local onde foi sediado o workshop.
Agora bora por em prática o que foi aprendido...
Zdrowie amigos...

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Ness33 e Confraria171

Duas belas cervas seguiram para suas garrafas nas duas últimas semanas. A pequena e saborosa Ness33 que trata-se de uma scotch ale e a explosiva Confraria171 uma APA de respeito. Cervejas totalmente distintas, mas que já estavam começando a faltar nos churrascos de finais de semana, por isso corri logo colocar ordem nessa desproporção (rsrsrs).

A Ness33 seguiu a mesma receita de sempre, tendo mais corpo, notas evidentes do malte defumado e do malte chocolate, além da harmonia trazida pela adição tardia de chips de carvalho embebidos em puro uísque escocês. Essa "belezurinha" é uma cerveja de menor amargor, entretanto nosso querido lúpulo britânico está lá, sutilmente presente e quase imperceptível no aroma.


Na contramão da scotch ale, a Confraria171 é a repetição da receita de nossa American Pale Ale - APA, contudo, dessa vez foi bombardeada por um triplo dryhop que promoveu um buquê bastante interessante de aromas. Feita com 95% de malte base pale ale, gerando um corpo leve que ajuda no drinkability, a Confraria171 é feita com quatro lúpulos diferentes, sendo dois americanos e dois australianos, esses dois últimos responsáveis principalmente pelos aromas. A combinação dos lúpulos ficou bastante interessante, contando com o americanos centennial e citra e os australianos vic secret e galaxy - um show de aroma que daqui alguns dias já poderá ser sentido.

Na Zdrowie amigos!

domingo, 22 de julho de 2018

89republic

Em maio/2018 foi iniciado uma ótima brincadeira "caseira" que explico: após várias brassagens artesanais de cerveja ale resolvemos arriscar na primeira cerveja lager, que devido ao maciço consumo mundial, erroneamente imagina-se ser uma cerveja mais simples, contudo trata-se de uma receita de cerveja complexa, cuja aparente simplicidade oculta um processo que pode ser muito mais lento do que de cervejas de alta fermentação.
A ideia era fazer uma cerveja leve, não só para o paladar mas também para os olhos, que resultasse em uma tonalidade cristalina e agradável, sem que deixasse de lado o amargor típico das cervejas tchecas do estilo pilsner, cervejas essas que nada lembram as "americans lagers" tão consumidas no Brasil e no mundo. Dessa maneira, após escolhido os maltes, optou-se pelo uso de um único lúpulo nobre e iniciou-se a loucura.
Iniciada no mês de maio, o mês de junho parecia não passar nunca e já em julho, após o precioso líquido seguir para seu repouso em simpáticas garrafas de 355 ml, bastava aguardar o último efeito das leveduras sobre a solução de priming adicionado para ver o que surgia... A ansiedade só aumentava ao ponto de obrigar-me (rsrsrs) a abrir uma garrafa com apenas quatro dias de envase, encontrando a cerveja com um sabor bem legal, porém com carbonatação ainda insuficiente. Contudo, como dizem a rapaziada super "profissas" da DUM - "aqueles que tiverem paciência serão recompensados" - Bora aguardar mais um pouco...

Entrando nesse segunda dezena de julho, nossa pilsner já está mais do que boa! Como desejado e  arquitetado, a cerveja ficou bem clara e cristalina, de amargor interessante e com uma carga alcoólica de 4,65% que torna seu drinkability muito especial. Como o estilo baseou-se na pilsner tcheca, observamos um pouco da história da República Tcheca para nomear nossa mais recente cerva. Apesar da notável evidência que liga as cidades de Praga e Plzen (Pils), ambas responsáveis por pontear com louvor tal estilo de cerveja, o próprio país tem uma origem muito recente como pátria exclusivamente tcheca. Isso porque durante muitos anos os povos tchecos e eslovacos formavam um único país conhecido como Tchecoslováquia, cuja dominação soviética propagou-se até meados da década de 1990. Mais precisamente em 1991, o país se dividiu pacificamente em dois, surgindo de um lado a República da Eslováquia e de outro a República Tcheca, todavia, essa separação foi alinhada em 1989, iniciando através de um acordo entre líderes e cidadãos dos dois lados, que ficou conhecido como Revolução de Veludo que propunha de forma não agressiva a deposição do comunismo e surgimento das duas repúblicas.

Tantas informações relevantes sempre ajudam a batizar a boa e amada bera, e dessa vez não foi diferente... Se a proposta era fazer uma cerveja lager dentro do estilo das pilsners tchecas, o jeito era jogar a receita e dados cultural-social-políticos em uma panela cervejeira e de lá tirar o nome da mais nova integrante da Zdrowie - assim saiu a 89republic, uma czech pilsner lager com 30 ibus, 4,65% de abv, muito clara e logicamente gostosa. Ideal para acompanhar a conversa, o churrasco ou a simples vontade de tomar uma boa cerveja...
Zdrowie amigos...

domingo, 3 de junho de 2018

WEE HEAVY E O FRIO

Da mesma maneira que existem comidas e sobremesas que harmonizam bem com vinho, com a cerveja não é nada diferente, apesar de ainda ser pouco difundido tal situação. Entretanto, isso está mudando em ritmo muito acelerado e já não é raro encontrar restaurantes disponibilizando ótimas cartas de cervejas, como já acontece há bastante tempo com vinhos. Essa reforma na mentalidade é reconhecida também em bares e brewpubs, que além da simples oferta de cervejas, que seria tão comum ao local, aderiram a realidade de ofertar pratos principais, petiscos e sobremesas que combinam perfeitamente com as cervejas comercializadas.
Cada cerveja é feita com particularidades que permitem a cada estilo ser totalmente diferente um do outro. Até mesmo cervejas do mesmo estilo se diferenciam devido ao tipo e quantidade de malte usado, mistura de lúpulos, qualidade da água, quantidade e qualidade da levedura e até o tipo de mosturação definida preliminarmente. Todos esses aspectos contribuirão para a singularidade da bebida.

Há tempos que renomados e aventureiros chefs trabalham com harmonizações e associações de pratos doces e salgados com a cerveja. Muitos preferem combinar os dois elementos durante o consumo e  outros optam até mesmo por incrementar a receita adicionando a bebida no preparo. Indiferente a opção adotada, o importante para o mundo cervejeiro é que a cada dia a cultura aumente exponencialmente.  A livre associação também é algo bem legal e tal atitude pode culminar em excelentes combinações. Ouse provocar a tentativa... Do erro pode surgir o acerto, e se não acontecer, que a breja seja ao menos bem aproveitada (rsrsrs)

A harmonização não é minha praia e nem mesmo flerto com ela - prefiro curtir a deliciosa fermentada - contudo, nos últimos dias o clima de Curitiba que tem sido mais frio provocou-me ao menos a saborear a Zdrowie 100Censura - Wee Heavy, uma strong scotch ale e curtir o calor da bebida e do fogão a lenha. Foi bacana, o corpo aqueceu, talvez pelos 9,3% de ABV, talvez pelo calor do fogo ou talvez pelo prato simples porém saboroso que foi feito.
Não foi harmonizado nenhum prato sofisticado com a bebida e nem era o intuito. A ideia era apenas tomar uma boa cerveja, bater papo e esquecer o cansaço de uma semana bem trabalhada. Todavia, sempre que possível for, não dispense as dicas de harmonização para aproveitar ainda mais uma boa cerveja e nunca esqueça: beba com qualidade e nunca em quantidade...
Zdrowie.



quinta-feira, 31 de maio de 2018

Blond Ale

                   A Blond Ale Belgian foi a primeira cerveja da Zdrowie. Ainda não tinha sido batizada com o nome de ªPrimeira, mas com o tempo foi inevitável não chamá-la assim.

             A cerveja que sempre se torna presente. É só ir acabando que alguém pergunta: "não tem aquela belga?" e tenho que dar um jeito de fazer uma batelada da loirona. É satisfatório que gostem... É satisfatório que acabe... Mas é tão ruim que leve tanto tempo para ficar pronta e que tenhamos tão pouco tempo para se dedicar a esse hobby tão saboroso (hehehe) - Paciência, afinal quanto mais se espera mais gostosa a cerveja parece ficar...

                    Essa da foto é uma das primeiras "ªPrimeira" que nem o rótulo com o nome tinha ainda... Esperei que completasse um ano e dei um honroso fim para ela e adivinhem se estava boa...

Zdrowie...

Cervejas de Maio


Ao contrário do que houve em abril - ou melhor, do que não houve - durante o mês de maio consegui  fazer três cervejas. No início do mês deixei de lado os afazeres do final de semana e mandei ver em duas brassagens consecutivas, uma no sábado e outra no domingo. Apesar de estarmos no outono, Curitiba teve um mês de maio com cara de inverno. Enquanto a água é aquecida, nada melhor que um chimarrão para esquentar o corpo e espantar o frio. 

Dessa brassagem dupla duas cervas já estão maturando, uma Blond Belgian Ale - ªPrimeira e uma Pale Ale de centeio e mel - StªPolaca, que logo estarão seguindo para suas garrafas.
A terceira brassagem foi no último sábado de maio e será uma cerveja experimental. Se ficar boa logo posto novidades a respeito e se ficar ruim prometo fazer um minúsculo comentário sobre o desastre também rsrsrsrs - afinal erros e cervejeiro artesanal são parceiros kkkk...
Vamos torcer para que as três fiquem boas, mas até lá é esperar e nessa espera que parece uma eternidade, o jeito é ir bebericando o que está pronto... 
Zdrowie...

LAGERS


No século XIX os fabricantes de cerveja da Baviera que deixavam a bebida fermentar em caves frias já tinham reparado que a fermentação passava a ocorrer de maneira diferente das habituais cervejas Ales, ou seja, a fermentação ocorria de forma mais demorada, contudo o resultado era uma "breja" mais límpida apesar de ainda ser de coloração mais escura. Intensificou-se então uma investigação mais minuciosa sobre a forma de fazer cerveja que havia surgido alguns séculos antes. Aprimorou-se o conhecimento sobre a refrigeração e a fermentação que ocorria no fundo dos tonéis e as cervejas chamadas de lagers, porém ainda mais escuras, passaram a ser fabricadas de maneira que ficavam muito mais claras, surgindo as lagers claras. No papo cervejeiro, as lagers são as cervejas feitas com baixa fermentação.

A família lager e seus vários estilos são sem sombra de dúvidas as cervejas mais consumidas no mundo, tendo como sua estrela principal a famosíssima Pilsen, que apesar de ser conhecida com esse nome aqui no Brasil e países latinos, deveria ser chamada de Pilsener ou Pilsner, nome correto e derivado da cidade de onde nasceu: Plzën na atual República Checa.  


No entanto, a pequena confusão com o nome não tira o brilho dessa límpida e agradável cerveja. O estilo bohemian pilsner "verdadeiro" não tem nenhuma semelhança com as "pilsens" feitas em larga escala comercial que conhecemos. Ótimas pilsners, pilseners ou pils são encontradas em várias partes do mundo, principalmente na Europa - seu berço originário, mas é na República Checa que o estilo lager encontra sua excelência. A mais famosa entre elas é a Pilsner Urquell, cujo sabor e aroma tenta ser copiado por centenas de milhares de cervejeiros artesanais no mundo todo e sua famosa cervejaria fica na cidade de Plzën. A cidade de Budweis abriga outra cervejaria muito antiga que é a Budejovicky que fabrica a lager 1795, cujo nome remonta ao ano inicial da cervejaria - nada mal hein? - e a mais clara Praga Premium Pils, dois bons exemplos de beras que seguem no calcanhar da Urquell... Uma outra enormidade de ótimas cervejas são encontradas nas terras checas e adjacências, mas é muito chão para explorarmos um uma simples resenha.

O bacana de fazer cerveja é que você aguça a vontade de conhecer a bebida. Não me refiro a beber uma quantidade sem limites, mas beber boas cervejas e tentar perceber o que foi usado nela. Nesse mês tomei as duas cervas citadas da Budejovicky e ambas são deliciosas. Não encontrei a Urquell, mas assim que tiver um tempo maior irei atrás. Essas pilseners possuem um lúpulo mais realçado e um aroma aconchegante que deixa ao final uma sensação de quero mais...
Essas duas lagers degustadas com certeza não foram apenas para matar a sede, pode ter certeza que a Zdrowie está aprontando alguma coisa...
Na zdrowie amigos...