quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Cerveja Nova

Novembro teve inspiração nova! A primeira brassagem do mês foi de um estilo de cerveja que eu já vinha estudando a bastante tempo, como tudo conspirou a favor essa receita saiu do planejamento e foi literalmente para as panelas. Essa cerveja é um dos estilos belgas e é apreciada por um bom número de "cervejólatras". 


Antecipo que será uma cerveja bastante refrescante, boa de ser tomada no verão que está chegando, mas aviso aos tripulantes que essa nova doideira não será para brincar, afinal ela virá carregada de um teor alcoólico "estonteante" se o cidadão ousar beber alguns copos a mais do que costuma suportar.

O frescor virá de uma maluca mistura de maltes, maracujá, limão siciliano, hortelã, anis estrelado e uma combinação de lúpulos bem dosados. A levedura também promoverá um toque singular e além de tudo isso, um ingrediente especial e secreto foi lançado na receita... vamos aguardar e ver o que dá! Dezembro ela já vai para a garrafa e não demora para tirarmos a prova...

Zdrowie - Nada Convencional...

MADEIRA

Uma das formas mais antigas de se armazenar cervejas é sem dúvidas barris e dornas de madeira. Em épocas que o metal como alumínio, inox e polipropileno sequer existiam, as alternativas para os ilustres cervejeiros que desbravavam esse caminho etílico era dos barris. Acredito que existiam cervejas maravilhosas naquela época, contudo, deviam existir cervejas muito ruins também. Com o advento da vidraria, as grossas canecas de porcelana, argila e até mesmo de madeira foram sendo substituídas por canecas transparentes e com isso a cerveja passou a ser mais observada e as técnicas passaram a ser muito mais apuradas. 

Tais melhoramentos foram aplicados em todas as etapas da fabricação da bebida, inclusive na fermentação, maturação e envelhecimento, ou arredondamento como alguns preferem chamar. Conforme a tecnologia ia se aprimorando, os cervejeiros passavam a contar com um número maior de produtos a sua disposição e com isso muitas cervejarias passaram a deixar de lado o uso sistêmico de barris de madeira. Isso não foi regra geral, afinal é sabido que diversas cervejarias continuam até hoje a usar tais meios de armazenamento.

Vejo que a mudança mais contundente em relação ao uso de madeira foi dentro das pequenas e médias cervejarias, inclusive entre os cervejeiros artesanais. A madeira voltou com muita força e termos como "barrel age e wood age" tem sido cada vez mais encontrado entre os rótulos da fermentada. 
Sempre que uma cerveja passa por um processo de maturação mais longo em um barril de madeira, a bebida absorve propriedades do material do barril e essas particularidades podem ser apenas da madeira quando o barril usado é novo ou, detalhes bem específicos mesclando a  madeira e a bebida anteriormente armazenada em um barril usado.
Um barril de cavalho americano ou francês, ou de amburana, pode já ter sido usado para envelhecer vinho, uísque, conhaque, cachaça e uma infinidades de outros destilados e é certeza que traços dessa bebida ficam impregnadas na madeira, que passam na sequência para a cerveja. Essas cervejas envelhecidas e maturadas em barris são em geral mais complexas e mais alcoólicas.
A Zdrowie fará alguns testes com barris de carvalho e amburana. Ainda não foi definida qual cerveja será a escolhida, mas  a certeza que tenho é que faremos tudo com muito cuidado e carinho, para daqui a alguns meses uma cerveja nota mil venha compensar toda essa paciência.
Novidades a vista!
Zdrowie amigos

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Noite das Artesanais



            Nossos amigos já tinham aprovado a mais nova cerveja da Zdrowie, a JULHOde75 uma Oat Porter bem desenhada, de bom corpo e atrativa no paladar. Mesmo assim sempre é bom e diria essencial, ouvir as opiniões de outras pessoas que não tenham uma ligação direta ou mais estreita com o cervejeiro (diria assim rsrsrs). 



Dessa maneira durante a noite das artesanais, um encontro mensal promovido com bastante competência pelo pessoal da ACERVA-PR, onde todos se encontram para conversas informais sobre o assunto CERVEJA, trocar figurinhas e ainda degustar ótimas cervejas, pois além das excelentes TAPs locais a cereja do bolo é uma disputa bem sadia e divertida entre quinze cervejas que são previamente escritas e levadas pelos integrantes da associação. Essa brincadeira não segue nenhum critério mais rigoroso como nos concursos mediados pelas regras do BJCP, mas quem degusta as cervejas entende e muito do assunto. 



Para variar, todas as quinze cervejas eram muito boas e para nossa alegria, a nossa JULHOde75 ficou com um belo terceiro lugar na noite. "Um bronze que para mim foi Ouro" e que venham novos desafios, novas cervejas e mais pessoas gostando de nossas Zdrowies...


Zdrowie amigos...

CANDI SUGAR

O candi sugar é um tipo de açúcar belga que é muito usado nas cervejas mais fortes como Strongs Belgian, Dubbel e outras, porém não quer dizer que não se pode usar em receitas tidas como um pouco mais simples como das Blond Belgians, mas que possuem um conjunto de complexidades exuberantes para quem sabe apreciar uma cerveja belga.
Sua produção provém da caramelização do açúcar e da reação de Maillard. Essa reação é comum de ser obtida quando os alimentos são aquecidos e os aminoácidos (proteínas) e carboidratos (açúcares) iniciam uma reação química. O produto dessa relação é uma espécie de caramelo, que pode ser dosado em três graus de caramelização conforme a necessidade de uso. 
Ao usar tal produto na fabricação de cervejas belgas, as mesmas acabam incorporando a seu sabor e aroma características ainda mais complexas do que comumente já apresentariam. É necessário calma no processo, pois em um piscar de olhos pode ser colocado tudo a perder. Vale se aprofundar nas quantidades de açúcar e água utilizada e o principal: os cuidados com a temperatura, que é o principal fator para um bom candi sugar.
Eu já fiz minha lição de casa, agora só deixo a dica: pesquise, faça e use que vale a pena.

Zdrowie.

Brassagens de Outubro

As brassagens são sempre motivo de alegria, porém feitas sempre em finais de semana, afinal o cervejeiro artesanal é uma pessoa normal, com emprego, correrias do dia a dia e o prazer de fazer cerveja fica condicionado ao sacrifício dos momentos que deveriam ser de folga. Eu mesmo faço minhas brassagens sempre nos finais de semana, iniciando na madrugada de sábado. Envases e outras particularidades ficam para as noites e horários  alternativos à jornada profissional, pois é o trabalho que põe pão na mesa e malte na panela kkkk.

Nesse mês de outubro foi possível fazer apenas duas brassagens, muito caprichadas por sinal, de duas cervejas que já não tinha mais no pequeno estoque particular. Foi feita uma brassagem da 89republic - pilsner czech e da ªPrimeira - Blond Belgian Ale. Duas cervejas bem diferentes, uma lager e outra ale. A pilsner tcheca se apresenta como uma cerveja clara e leve enquanto que a Belgian Blond é muito mais encorpada, com teor alcoólico maior e ésteres frutados em evidência. Cervejas com características diferentes, porém muita identidade pessoal.

A brassagem da 89republic envolve um pouco mais de trabalho devido a forma que optei em produzi-la. Sua fermentação e maturação também envolve um pouco mais de detalhes e paciência, mas o resultado vale todo o empenho.

A belga batizada de ªPrimeira, que realmente é nossa primogênita, não é mais fácil de ser produzida, mas acredito que devido a ser a cerveja com maior quantidade de produções, acaba que indo de forma meio que automática, melhorando a cada brassagem o que é possível melhorar e seguindo em frente. Fermentação básica de sete dias e maturação de vinte um dias. Após esses 28 dias, segue para as garrafas e se conseguir aguentar´o ideal é abrir somente seis meses depois, porém garanto que raras garrafas chegam a esse estágio de maturação hahaha...

Com isso o mês de outubro foi embora e ao menos a Zdrowie conseguiu deixar maturando para a virada de mê duas boas e belas cervejas para poder degustar nas semanas que estão por vir.

Zdrowie amigos...

JULHOde75

No mês passado postei uma pequena referência de uma cerveja nova que a Zdrowie estava fazendo, pois bem meus caros, a cerveja ficou pronta e muito saborosa. A cerveja em questão é de um estilo que ainda não havíamos nos aventurado: uma Porter.
Esse estilo provém da linha inglesa de cervejas e é considerado um estilo bem tradicional e bem quisto pelos amantes da bebida. Ela é uma cerveja escura, podendo variar de tonalidade marrom até o preto. Destaques de cor rubi são comuns em algumas cervejas quando observadas contra uma fonte de luz. A cor é proveniente da mistura de maltes claros com maltes especiais de cor mais intensa, como caramelos, torrados e defumados e mediante tal combinação o sabor e aroma de café, chocolate e defumado são também comuns e mais que isso, procurados na cerveja.
O amargor é médio baixo, deixando clara a proposta de que a vedete é o balanço dos maltes e não o amargor dos lúpulos. Cerveja de bom corpo, médio volume alcoólico e saborosa. Sua espuma pode variar de média a baixa, conforme a carbonatação escolhida pelo cervejeiro e não é incomum encontrar porters quase sem espuma, inclusive em muitos pubs ingleses é fácil de achar cervejas desse estilos com ausência quase que total de carbonatação por ser tirada diretamente de barris de madeira (carvalho em geral) em uma tentativa de resgatar o velho estilo da béra. A cor da espuma predominantemente é marrom claro que lembra um creme, podendo ser persistente ou não.

A história do nome da cerveja também é muito interessante, pois essa fermentada era em geral consumida por trabalhadores portuários da Inglaterra no século XVIII, que eram chamados de "porters" e era um estilo ainda inexistente, isso porque a cerveja que eles tomavam naquela época era uma mistura de três outras cervejas: Old Ale + Pale Ale + Mild Ale. O blend dessas três cervas promoviam uma cerveja nova com maior corpo e cor mais escura e aos poucos iniciou-se as tentativas de criar uma cerveja que resultasse exatamente no blend tão consumido nos pubs da região. Graças a isso é que hoje conhecemos, produzimos e consumimos a cerveja Porter.

A Zdrowie não poderia deixar de criar a própria porter e por isso iniciei as pesquisas e de forma sutil comecei a planejar uma porter que tivesse a nossa identidade, ou seja, que não fosse tão convencional quanto as encontradas comercialmente.
Em setembro colocamos as mãos à obra, ou melhor, à panela. Nossa porter é fruto de uma mistura bem equilibrada de seis maltes + aveia, cacau, rapadura e lúpulos do Reino Unido. A ideia sempre foi usar a rapadura como fonte de açúcar e corpo para a cerveja, tentando escondê-la ao máximo para que ao beber a cerveja não desse a impressão de estar tomando um caldo de cana. Havia também o dilema de ocultar o café oriundo do malte torrado e após alguns estudos foi possível brassar a cerveja deixando de lado o sabor que não queríamos (por pura opção, pois o café é muito comum ao estilo).  Já o cacau usado foi de nível de pureza de 100%  e esse sim era previsto que desse a cara no aroma e no sabor - Deu tudo certo! Do jeito que gostaríamos, cerveja com corpo, lembrança, 5,4 de ABV e 23 de IBU, cerveja que pede sempre um gole a mais.
Faltava ainda batizar essa belezura e nada melhor do que dar um nome que tivesse a ver com a cerveja Zdrowie, e isso foi fácil, bastou olhar ao lado e ver minha fiel cúmplice que está sempre a meu lado. Uma cerveja de caráter forte, complexa e com notas de cacau tinha que receber um nome que combinasse e assim surgiu a JULHOde75 - Oat Porter, afinal minha pequena possui a prerrogativa de um caráter muito forte, personalidade sólida e adora um chocolate...
Portanto amigos, bora tomar a JULHOde75 - enquanto tiver!!

Zdrowie.

MEDALHISTAS


O início de outubro chegou com bastante alegria para a Zdrowie, isso devido a uma notícia que sinceramente me pegou de surpresa. No último final de semana de setembro ocorreu em Belo Horizonte, mais precisamente no Estádio do Mineirão o III Festival Internacional de Cerveja e Cultura - FICC2018, tal evento foi criado para aliar cerveja e cultura, contando com inúmeras cervejarias já consagradas, shows de música, ótima culinária e um monte de diversões. Além de todo repertório citado ainda houve uma competição para cervejeiros tipicamente artesanais - os famosos homebrewers. Seu amigo que aqui vos escreve, louco por um feedback a respeito, acabou enviando três amostras: uma Ness33 - scotch ale, uma dona lala - american wheat e a Confraria171 - american pale ale APA e não é que veio um feedback melhor do que eu esperava!

Isso mesmo, dos três estilos enviados obtivemos dois bronzes com a dona lala e com a Confraria171, somente a Ness33 não teve premiação, porém ainda aguardo a súmula do julgamento para ver a opinião sobre a pequena scotch ale.
Feliz da vida hehehehe e vamos fazer cerveja...

Zdrowie amigos.