sábado, 31 de março de 2018

Dona Lala

É comum muitas pessoas  dizerem que não gostam de cervejas de trigo devido ao gosto ou aroma, entretanto, muitas dessas implicações são errôneas e decorrentes da impressão que algumas "más" cervejas deixaram, principalmente quando as primeiras importações de cervejas começaram a ocorrer.

Como diz o ditado: a primeira impressão é a que fica... E digo que de fato é muito difícil mudá-la! Pessoalmente sou um fã de cervejas de trigo. Talvez minha ascendência eslava faça com que meus genes busquem a diversão em boas cervejas de trigo e mesmo quando tais cervas não sejam tão boas assim, não mantenho expectativas frustantes comigo.


Os tipos mais comuns de cervejas de trigo são alemãs do estilo weizen e belgas com suas witbiers. Os dois tipos possuem características parecidas, fazendo com que nossas papilas gustativas associem sabores e aromas de cravo e banana - proveniente do tipo de levedura usada - são suaves e refrescantes, principalmente as witbiers belgas e holandesas que ainda trazem notas de limão, coentro e outras especiarias.

Com a revolução cervejeira americana, muitos estilos sofreram alterações em suas composições e ingredientes e com a cerveja de trigo não poderia ser diferente. Com isso, os americanos trouxeram à tona um novo estilo batizado de American Wheat, que são cervejas de trigo com o peso do lúpulo americano e sem os fenóis (cravo) e ésteres (frutados) comuns em suas similares europeias.   
Uma cerveja também muito refrescante, com teores alcoólicos menores e bastante drinkability. Elaborada com leveduras neutras e médias e altas doses de lúpulos americanos.
Dessa ideia surgiu a Dona Lala, uma american wheat feita com 50% de trigo e 50% de malte de cevada, "temperada" com dois amargores americanos, o cascade e o sorachi ace, um lúpulo com bastante notas cítricas e equilibrado no que diz respeito ao sabor e aroma.
Portanto, deixe de lado os preconceitos quanto a cerveja de trigo, pois se ela for bem feita é capaz de mudar até as péssimas impressões.
Zdrowie!

FAMÍLIA ZDROWIE

A Zdrowie tem conseguido ao longo dos meses produzir pequenas levas de boas cervejas. Inicialmente dois estilos formaram o preâmbulo de algo que pelo jeito não chegará a seu fim tão logo, afinal a vontade é crescente e a determinação aumenta a cada dia. 
Hoje já pude em companhia de muitos amigos provar nada menos que onze estilos diferentes de cervejas, e a vontade de elevar ainda mais a variedade não me deixa quieto. O mundo das cervejas é fantástico e tudo o que é possível fazer com suas misturas mirabolantes fascina o dia a dia. Cerveja não é só cerveja, é algo bem maior...
Alguns detalhes ainda necessitam ser ajustados, mas já é possível saborear boas e diferentes "beras", bastando escolher e ter a sorte de ter em tal momento disponibilidade de uma das poucas garrafas que são feitas com muito esmero e dedicação...
ªPrimeira - Blond Ale Belgian, Dunkelweizen, 100Censura - Strong Scotch Ale, StoAmargo - American IPA, DOM1880 - American Kölsch, 1974 - Especial IPA, SulReal - Dubbel, Dona Lala - American Wheat, StaPolaca - Pale Ale, Confraria171 - APA, NESS33 - Scoth Ale...

E aí? Que tal arriscar a sorte?

Zdrowie!

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Cerveja é Festa


Não se pode afirmar que em toda festa exista cerveja, mas afirmo com veemência que quando não tem a "bera", alguém dessa festa gostaria de estar bebendo uma ... Isso é líquido (literalmente) e certo! No entanto, para o deleite dos apreciadores da boa e velha bebida fermentada, a maioria das festas, encontros de amigos, celebrações sempre tem a presença de uma "cervejinha ou de uma baita cervejona" - isso há de ser Lei!

Festa é descontração, boa conversa, momento de matar saudades e se for acompanhado de uma cerveja bem elaborada, alguns petiscos e boa companhia, fica melhor ainda. A "danada" da loira, morena ou ruiva gelada faz a conversa ir longe... É tempero... Encoraja e proporciona momentos bacanas, novas amizades ou reencontros, todavia, sempre com MODERAÇÃO! 
Se uma simples festa combina perfeitamente com uma cerva, ficará melhor ainda se a cerveja tiver a sua cara, seu slogan ou sua marca. Um aniversário, uma confraternização ou alguma data especial pode  ser um motivo bem propício para personalizar o rótulo de uma cerveja, para que ela se torne a sua cerveja.

Dentro dessa ideia, a zdrowie já elaborou cervejas exatamente com essa finalidade. Cervejas para servirem de presentes, dados por quem deveria ser presenteado. Datas especiais são geralmente compartilhadas com pessoas especiais, desta maneira porque não deixar o momento mais marcante ainda? Eu mesmo adoraria ser convidado para uma festa, recepção ou confraternização e ir embora com uma garrafa de cerveja (hahahaha - simplesmente não consigo deixar de gostar disso), mas claro que há pessoas que prefiram um imã para geladeira, e respeito isso... Respeito tanto que abriria mão de meu "brinde imantado" desde que a pessoa me dê sua garrafinha festeira (rsrsrs)...

Por isso meus amigos, se for pra festa ser lembrada que seja pela cerveja servida ou ofertada de lembrança do que pelo sabor do recheio do bolo... Tenho certeza que dificilmente será esquecida (ao menos por quem curte uma cervejinha hehehehe)...
Abraço aos cervejeiros e aos festeiros...

domingo, 25 de fevereiro de 2018

Dia de Brassar


Fim de semana são os dias de brassagem - afinal vida de cervejeiro artesanal é assim - e como o estoque de StoAmargo está baixíssimo (abaixo da reserva para contingências) essa american IPA será a bola da vez juntamente com uma Strong Scotch Ale que já estava em elaboração há um bom tempo...  No sábado o trabalho começou bem cedo, em torno de cinco da matina, afinal para aquecer essas "panelonas" vai tempo... Mas como já é esperado, se quer cerveja em tempo recorde, corre pro mercado que é mais fácil!


Tudo correu dentro da normalidade, brassagem, testes, lavagem do bagaço e filtragem do mosto... A fervura seguiu como esperado e aos poucos a adição dos lúpulos se concretizou. Como eu também sou filho de Deus e Nele creio muito, tratei de bebericar uma StaPolaca para matar a sede e se divertir um pouco (sábado foi quente em Curitiba), afinal, Deus, StoAmargo, StaPolaca tem tudo a ver (rsrsrsrs)... Fervura e resfriamento concluídos, segue para o descanso iniciando assim a fermentação. Logo essa IPA estará  pronta para o deleite da "gurizada"... Sábado foi... Trabalho finalizado...

Entretanto, hoje (domingão que amanheceu bonito que só!) já estou firme na luta de novo e com a brassagem da Strong Scotch em evolução, ficando a expectativa de como essa danada ficará.  É provável que as horas voem e devo prorrogar o descanso para outro dia, mas ao menos nos dias futuros poderei desfrutar do resultado desse final de semana...
O dia vai longe, o final de semana vai evaporar, mas sem arrependimento... Cada indivíduo faz suas escolhas... Dia de brassagem é assim...
Zdrowie...

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

SulReal

A Bélgica é fabulosa por sua grande variedade de cervejas e existe um destaque para um trio de cervejas fabricadas no interior de alguns mosteiros trapistas. Aproximadamente onze mosteiros distribuídos pela Europa e Estados Unidos, sendo seis somente na Bélgica. São responsáveis por "uma joia da coroa", ou melhor, três belas joias que são conhecidas como Dubbel, Trippel e Quadrupel sendo todas Strong Belgians, porém com variações notórias na graduação alcoólica.

Existem várias explicações para os nomes, sendo que algumas vertentes atribuem o nome a quantidade de malte usada. enquanto outras relatam que no início os barris eram marcados com a letra "X", "XX" e "XXX" conforme o nível do álcool existente na bebida e já li também relatos a respeito do número de fermentação e número de spargings (lavagem) do malte após a mostura. A direção a ser assumida é difícil... Quem dera um monge de um desses mosteiros apontasse exatamente qual o sentido verdadeiro de tais denominações...

Entretanto, o importante é que milhares de cervejeiros artesanais criam ótimas cervejas dentro desse estilo trapista. Cervejas com corpo e alma literalmente (rsrsrsrs) afinal com a graduação alcoólica dessa "bera" é fácil a alma sair do corpo (hehehehe). As cervejas desse estilo são sempre interessantes e complexas, deixando primordialmente marcas saborosas e frutadas e um amargor presente, porém equilibrado.

Um estilo tão bacana não poderia ficar de fora de família Zdrowie e no final de 2017 rolou uma brassagem muito bacana e extremamente complexa. A receita envolveu sete maltes, três tipos de lúpulos bem interessantes, uma ótima levedura com as características necessárias e ainda a adição de amora in natura e ameixas pretas secas. Após um período de fermentação e maturação bem longo a cerveja seguiu para as garrafas e para sua refermentação. Envasada em garrafa alemã de 500 ml e garrafa de espumante de 750 ml a estética superou minha expectativa. O resultado foi ainda melhor, pois a bebida ficou com uma cor muito bacana, aroma e sabor sensacional. O nível de álcool ficou em 8% e dentro do esperado.


Intitulamos a "danada" de SulReal, brincando com tudo o que foi possível: a região Sul que tanto gostamos, a bebida que para mim é a mais real de todas e ainda uma confusão divertida e homófona, afinal a pronúncia de SulReal ficou idêntica a de surreal, aliás, a confusão entre as palavras ficará somente na escrita mesmo, pois a cerveja ficou "simplesmente surreal"...
Zdrowie amigos. 

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

StaPolaca

A cerveja Pale Ale é um estilo mundialmente difundido, tendo uma larga gama de variantes. Todas as escolas cervejeiras trabalham maciçamente com o estilo Pale Ale e é sem dúvidas a "bera" mais produzida pelos cervejeiros artesanais. Tem como característica principal a cor mais clara, variando entre dourado até acobreado, sua fermentação ocorre em temperaturas mais altas, sendo de superfície, ou seja, alta fermentação - ao contrário das cervejas Lagers. Se fosse para enumerar a quantidade de cervejas Pale Ale que existem, sem dúvidas que surgiria um artigo enorme, mas o foco é apenas ilustrar modestamente as características principais dessa gostosura. 

O nome é derivado do inglês Pale que quer dizer claro e Ale que remete a alta fermentação. É uma cerveja que possui vários sub estilos como as IPAS (India Pale Ale), APAS (American Pale Ale), English Pale Ale e outras tantas, desde que, observadas a coloração citada. O sabor do malte é evidente, porém não abusivo, enquanto que o amargor é mais sútil nas Pale Ale originais e mais pesados em alguns de seus sub estilos, como nas IPAS.

Dessas características, surgiu a curiosidade de produzir uma cerveja que resgatasse algo da "terrinha de meus antepassados" - a Polônia. No entanto, a Polônia não é considerada uma escola cervejeira de destaque, mas tal fato não quer dizer que ótimas cervejas não sejam fabricadas naquela região do leste europeu. Dessa maneira, a curiosidade virou pesquisa e o resultado foi uma seleta de ingredientes que são muito usados por nós "polacos", e juntando tudo no caldeirão - rsrsrsrs - surgiu uma Pale Ale muito agradável ao paladar.
A zdrowie kingereski piwo Sta.Polaca é feita com malte pale ale, centeio, mel, pimenta e lúpulos ingleses e polonês. O resultado dessa bagunça? Uma excelente e clara cerveja, com uma densa e cremosa espuma branca, sabor e aroma objetivo e característicos dos ingredientes. Carrega um "imperceptível" nível alcoólico de 7,1% que obriga atenção redobrada de quem está bebendo essa "cerva", ou seja, uma atrativa armadilha.
Batizada de Sta.Polaca, faz referência notória ao bairro de Santa Felicidade que tão bem me acolhe e claro ao mais comum tratamento dado aos poloneses e seus tantos descendentes mundo afora. Fico satisfeito que o ano já tenha iniciado com essa novidade, que a meus olhos e a meu paladar agradou bastante.
Zdrowie amigos.

sábado, 27 de janeiro de 2018

Envase

Uma das etapas importantes e mais aguardadas é sem dúvida o envase. No caso das cervejas da Zdrowie toda a "minúscula" (kkkk) produção vai para garrafas de vidro, variando apenas nos tamanhos, podendo ser em garrafas de 300 ml, 500 ml, 600 ml e 750 ml. Como não poderia ser diferente, esse processo também envolve bastante tempo, pois além de ser todo manual a necessidade de uma excelente limpeza e sanitização de todos os equipamentos e vasilhames envolvidos é essencial, caso contrário a cerveja poderá ser contaminada, trazendo o risco de explosões de garrafas além de sabores indesejáveis, colocando em risco todo uma leva de cervejas.
A contaminação da cerveja é algo que amedronta o cervejeiro em várias etapas da produção, podendo ocorrer principalmente na fase da fermentação, mas também na maturação e envase, mesmo que a bebida já contenha certo teor de álcool, tal risco é ainda eminente.
A etapa do envase é muito trabalhosa porque envolve uma dinâmica bem grande no processo. Será necessário definir e encontrar o tipo da garrafa que será usada. Essas garrafas precisarão passar por um exaustivo processo de limpeza e sanitização, bem como as tampas que serão utilizadas. Estando todas as garrafas devidamente esterilizadas, isentas de sujeira e possíveis fungos, bactérias, é iniciado o envase na prática. Nesse ponto não é simplesmente jogar a cerveja na garrafa e fechar, será necessário saber quanto de espuma é recomendado para o estilo da cerveja a ser envasada (baixa, média ou alta). Não vejo isso como uma regra inquebrável, afinal eu estou fazendo a cerveja para consumo próprio e tudo dependerá do gosto pessoal (minha opinião), "porém" a cerveja pode estar sendo feita para um concurso e nesse caso vale sim respeitar os detalhes do estilo. 

Após rever a questão da carbonatação (espuma) desejada, o cervejeiro precisará dar condições para que ela apareça. A grande maioria dos cervejeiros artesanais utiliza-se de um processo chamado primming, que não é nada mais do que colocar na cerveja mais açúcares fermentáveis para que as leveduras ainda existentes consumam e produzam gás carbônico. Esse gás ficará armazenado na garrafa, afinal ela estará lacrada com a tampa e ao abri-la ocorrerá  a mágica.

Contudo, não é simplesmente pegar açúcar e jogar dentro da cerveja recém saída da maturação. Primeiramente é preciso identificar que tipo de fermentável será usado, podendo ser açúcar comum, açúcar demerara, açúcar cristal, açúcar mascavo, mel, extrato a base de glicose, ou seja, será preciso definir que fermentável será usado para alimentar o restante de leveduras que acordarão (e com fome) após a saída da maturação a frio.
Após definir o tipo é sábio e necessário acertar a quantidade, que geralmente varia entre 5,5 gramas até 7,5 gramas por litro de cerveja. parece uma quantidade muito pequena, porém é necessário estar ciente que a garrafa estará fechada, ao contrário do que ocorre na etapa da fermentação, onde existe um grande acúmulo de fermentáveis para as leveduras se alimentarem e se multiplicarem, mas no caso da fermentação, existe uma válvula (airlock) responsável por liberar todo o gás criado no interior do fermentador. O uso irracional de fermentável na carbonatação pode criar uma garrafa-bomba, pois o vidro da garrafa possui tolerância a certos níveis de pressão e o acúmulo de gás carbônico na garrafa lacrada é pura pressão. Existe também o envase com carbonatação forçada, usando para isso CO2, processo que fará o cervejeiro ganhar tempo, pois a carbonatação ocorre mais rapidamente além de poder usar post mix ao invés de garrafas. 
Voltando ao envase na prática, o primming será definido e misturado na cerveja, a cerveja irá para a garrafa que será lacrada... Acabou? Depende! A minha produção artesanal é puramente um hobby, mas nem por isso deixo de colocar um rótulo. Mais trabalho! Fazer a arte, enviar para que seja produzida em gráficas especializadas ou simplesmente impressas em casa ou no trabalho - você define. Finalizado todo esse emprenho a cervela ainda precisará descansar por períodos que variam entre 10 dias e até mais de um ano. Cervejas de trigo e IPAS por exemplo que são apreciadas mais jovens podem ser consumidas após 10 ou 15 dias de envase, já uma cerveja belga pode necessitar de até um mês para ficar interessante e existem ainda cervejas que ficam melhores e mais complexas com períodos extensos de armazenagens.

Outro detalhe importante que regra a carbonatação é o clima. Já fiz cervejas idênticas que chegaram ao ápice da carbonatação desejada em número de dias totalmente diferentes. Como estou em Chuvitiba, digo, Curitiba, temos um clima totalmente diferente do mundo por aqui, podemos ter no mesmo dia as quatro estações do ano - pode me desmentir se alguém tiver coragem rsrsrsrs - dessa maneira uma carbonatação pode ser muito mais lenta em semanas mais frias do que em dias mais quentes. Ao menos eu senti isso em minhas levas.

Fora essas "pouquíssimas" regras, o cervejeiro artesanal precisa ainda de paciência, afinal levar semanas para que a cerveja fique no ponto de envase e ainda aguardar mais algumas semanas para a carbonatação é coisa para louco, mas é legal. Depois que já tiver algumas levas prontas para consumo é mais tranquilo, pois durante o "árduo" trabalho é possível ir saboreando uma ou outra beer enquanto sonha com a que está sendo envasada. Após uns dez ou doze dias já é possível abrir uma garrafa e começar a sentir como a cerveja está. Quando ela atingir seu gosto pessoal, bora resfriar e se divertir. Chama os amigos, a família, "eu" e bora beber algumas "beras"...
Zdrowie!