quinta-feira, 31 de maio de 2018

Cervejas de Maio


Ao contrário do que houve em abril - ou melhor, do que não houve - durante o mês de maio consegui  fazer três cervejas. No início do mês deixei de lado os afazeres do final de semana e mandei ver em duas brassagens consecutivas, uma no sábado e outra no domingo. Apesar de estarmos no outono, Curitiba teve um mês de maio com cara de inverno. Enquanto a água é aquecida, nada melhor que um chimarrão para esquentar o corpo e espantar o frio. 

Dessa brassagem dupla duas cervas já estão maturando, uma Blond Belgian Ale - ªPrimeira e uma Pale Ale de centeio e mel - StªPolaca, que logo estarão seguindo para suas garrafas.
A terceira brassagem foi no último sábado de maio e será uma cerveja experimental. Se ficar boa logo posto novidades a respeito e se ficar ruim prometo fazer um minúsculo comentário sobre o desastre também rsrsrsrs - afinal erros e cervejeiro artesanal são parceiros kkkk...
Vamos torcer para que as três fiquem boas, mas até lá é esperar e nessa espera que parece uma eternidade, o jeito é ir bebericando o que está pronto... 
Zdrowie...

LAGERS


No século XIX os fabricantes de cerveja da Baviera que deixavam a bebida fermentar em caves frias já tinham reparado que a fermentação passava a ocorrer de maneira diferente das habituais cervejas Ales, ou seja, a fermentação ocorria de forma mais demorada, contudo o resultado era uma "breja" mais límpida apesar de ainda ser de coloração mais escura. Intensificou-se então uma investigação mais minuciosa sobre a forma de fazer cerveja que havia surgido alguns séculos antes. Aprimorou-se o conhecimento sobre a refrigeração e a fermentação que ocorria no fundo dos tonéis e as cervejas chamadas de lagers, porém ainda mais escuras, passaram a ser fabricadas de maneira que ficavam muito mais claras, surgindo as lagers claras. No papo cervejeiro, as lagers são as cervejas feitas com baixa fermentação.

A família lager e seus vários estilos são sem sombra de dúvidas as cervejas mais consumidas no mundo, tendo como sua estrela principal a famosíssima Pilsen, que apesar de ser conhecida com esse nome aqui no Brasil e países latinos, deveria ser chamada de Pilsener ou Pilsner, nome correto e derivado da cidade de onde nasceu: Plzën na atual República Checa.  


No entanto, a pequena confusão com o nome não tira o brilho dessa límpida e agradável cerveja. O estilo bohemian pilsner "verdadeiro" não tem nenhuma semelhança com as "pilsens" feitas em larga escala comercial que conhecemos. Ótimas pilsners, pilseners ou pils são encontradas em várias partes do mundo, principalmente na Europa - seu berço originário, mas é na República Checa que o estilo lager encontra sua excelência. A mais famosa entre elas é a Pilsner Urquell, cujo sabor e aroma tenta ser copiado por centenas de milhares de cervejeiros artesanais no mundo todo e sua famosa cervejaria fica na cidade de Plzën. A cidade de Budweis abriga outra cervejaria muito antiga que é a Budejovicky que fabrica a lager 1795, cujo nome remonta ao ano inicial da cervejaria - nada mal hein? - e a mais clara Praga Premium Pils, dois bons exemplos de beras que seguem no calcanhar da Urquell... Uma outra enormidade de ótimas cervejas são encontradas nas terras checas e adjacências, mas é muito chão para explorarmos um uma simples resenha.

O bacana de fazer cerveja é que você aguça a vontade de conhecer a bebida. Não me refiro a beber uma quantidade sem limites, mas beber boas cervejas e tentar perceber o que foi usado nela. Nesse mês tomei as duas cervas citadas da Budejovicky e ambas são deliciosas. Não encontrei a Urquell, mas assim que tiver um tempo maior irei atrás. Essas pilseners possuem um lúpulo mais realçado e um aroma aconchegante que deixa ao final uma sensação de quero mais...
Essas duas lagers degustadas com certeza não foram apenas para matar a sede, pode ter certeza que a Zdrowie está aprontando alguma coisa...
Na zdrowie amigos...

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Feijoada e pão de malte


"Ninguém é de ferro!" - com certeza essa reflexão deve ter vindo de algum sábio e se referia é claro a boa e velha gula pelo o que é bom (hehehehe). Em uma sociedade que foca tanto na imagem corporal e no abstrato social, que regra sem limites o que se pode ou não fazer, o que se pode ou não comer, o que deve ou não beber, é necessário deixar a lucidez as vezes de lado e se ... "esbaldar" (essa é a palavra certa). 


Já fazem cinco anos que no mês de abril, mais precisamente no feriado de Tiradentes, nosso grupo de amigos se reúne e prepara o que batizamos de Feijoada de Tiradentes e esse ano não foi diferente. Comida boa, bebida boa e companhia boa (tudo em excesso kkkk, afinal para isso que inventaram os antiácidos). Um almoço carregado de tudo o que se deve evitar - talvez possa ser excluída da lista negra a laranja e a couve - mas o resto é alucinante!!!! Depois dessa feijoada é possível ficar sem comer uma semana...

Portanto, galera do isso não pode e isso não deve... às vezes é preciso se encontrar com aquela dose extra de loucura alimentar, depois volta para a salada...

Ah! A Zdrowie estava presente é claro... Cerveja, feijoada e amigos... pra que melhor? 
(mas foi tudo sem exagero - juramos!)


Aproveitando o embalo dos alimentos taxados como vilões do dia a dia, esse mês também saiu um pão de malte bem bacana... Dá até para disfarçá-lo de bom moço, afinal é quase um pão integral o que o sabota são os ovos, leite, gordura, açúcar que vai em sua fabricação e após assado, pensem na camada generosa de manteiga derretendo... 

Mas vamos cortar esse papo por aqui, afinal desejo que continuem firmes em suas dietas maravilhosas, enquanto que eu... bom eu... tento!
Zdrowie

Abril é do Leão


Como a cerveja é apenas um belo e agradável hobby, é necessário dedicar-se plenamente a atividade profissional  e eis que o mês de abril é sempre marcado por muita correria para acertar as contas com o leão da Receita Federal... Sim, aqui se trabalha e nem tudo é diversão e um copo de cerveja ao final da tarde (rsrsrs) - não se iludam com as fotos! - A responsabilidade é grande e em em primeiro lugar está o profissionalismo com os vários clientes que confiam os "ajustes" tão necessários  em cada começo de ano.


Com essa correria de abril, não foi possível fazer nem uma "brassagem" e no momento nenhuma cerveja borbulha no fermentador ou descansa em baixas temperaturas no maturador. Mas como nem tudo é tristeza (kkkk) se não houve brassagem em abril, pelo menos houve envase de duas cervejas que já maturavam desde março.



O envase foi de uma leva de DOM1880 - uma american kölsch muito agradável, clara e bem disposta para acompanhar um conversa entre amigos, um churrasco ou simplesmente uma degustação ao final da tarde. Sua carbonatação é excelente e sua transparência remete erroneamente a uma cerveja lager. O amargor é proposital e gerado por um dueto de lúpulos americano e alemão, entretanto não chega a causar a impressão negativa no paladar, ao contrário, a bebida equilibra muito bem o amargo com o sabor e aroma de pão tostado resultante da escolha dos maltes. 

A segunda cerveja envasada foi nossa American IPA conhecida como StºAmargo, cujo nome traduz literalmente seus mais de 70 ibus surgidos pela combinação de três cargas bem generosas de lúpulos americanos. Uma cerveja bem carbonatada, de amargor intenso e bem simpática ao mesmo tempo.
Estilo da moda entre os lupumaníacos, a StºAmargo é envasada em garrafas de 600 ml exatamente para que se tenha uma "pitada a mais" de prazer em cada garrafa.
Bom... o mês de abril finalmente chegou ao fim e enquanto não surge uma nova brassagem, uma nova cerveja ou uma nova história... ao menos tenho ainda bons motivos para se recordar desse abril corrido e maluco...
Zdrowie amigos.

wee heavy

As cervejas do estilo Strong Scotch Ale ou carinhosamente chamadas de Wee Heavy, são cervas da casa escocesa extremamente alcoólicas e maltadas. Feitas para serem bebidas em temperaturas mais amenas, degustadas lentamente e perceber o quanto uma cerveja pode ser complexa e agradável.
Como todas as cervejas dessa região, a utilização do lúpulo não é abundante, sendo usado com bastante moderação e equilíbrio. O que a cerveja carrega de melhor são as notas carameladas dos maltes, usados em grandes quantidades e com bastante complexidade e singularidade.
Como o lúpulo nunca se adaptou ao clima escocês, ao contrário da cevada que é produzida em grande escala, as cervejas escocesas revelam o peso do malte em seu mais puro significado. Com belíssimas variações de tons, seguindo por tons âmbar-claros até o castanho escuro, a wee heavy atrai por seu aroma maltado e condena por seu sabor. Em geral possui um colarinho espumoso médio e evidente, porém não necessariamente persistente.
Uma cerveja que combina perfeitamente com sobremesas e que devido a seu teor alcoólico elevado, não é sugestiva em longas provas, afinal sua drinkability não é a mais adequada e nem a mais leve para várias horas de degustação.
Dentro dessa personalidade etílica e forte, surgiu a zdrowie 100Censura, uma óbvia e irônica brincadeira que revela o oposto da denominação da pequena e forte cerveja. Afinal arrisque beber mais que uma, duas ou três e descobrirá o que os 9,3% de teor alcoólico são capazes de fazer. De sabor extremamente agradável, é feita com a combinação de sete maltes diferentes e ainda duas adições tardias durante a maturação, uma com nibs de cacau e outra com chips de carvalho em momentos distintos. Dois lúpulos ingleses completam a receita, deixando uma suave marca lupulada, mas muito bem equilibrada com o sabor adocicado e achocolatado dessa cerveja.
100Censura - wee heavy, a pequena e forte para ser apreciada censuradamente...
Zdrowie amigos...

sábado, 31 de março de 2018

Dona Lala

É comum muitas pessoas  dizerem que não gostam de cervejas de trigo devido ao gosto ou aroma, entretanto, muitas dessas implicações são errôneas e decorrentes da impressão que algumas "más" cervejas deixaram, principalmente quando as primeiras importações de cervejas começaram a ocorrer.

Como diz o ditado: a primeira impressão é a que fica... E digo que de fato é muito difícil mudá-la! Pessoalmente sou um fã de cervejas de trigo. Talvez minha ascendência eslava faça com que meus genes busquem a diversão em boas cervejas de trigo e mesmo quando tais cervas não sejam tão boas assim, não mantenho expectativas frustantes comigo.


Os tipos mais comuns de cervejas de trigo são alemãs do estilo weizen e belgas com suas witbiers. Os dois tipos possuem características parecidas, fazendo com que nossas papilas gustativas associem sabores e aromas de cravo e banana - proveniente do tipo de levedura usada - são suaves e refrescantes, principalmente as witbiers belgas e holandesas que ainda trazem notas de limão, coentro e outras especiarias.

Com a revolução cervejeira americana, muitos estilos sofreram alterações em suas composições e ingredientes e com a cerveja de trigo não poderia ser diferente. Com isso, os americanos trouxeram à tona um novo estilo batizado de American Wheat, que são cervejas de trigo com o peso do lúpulo americano e sem os fenóis (cravo) e ésteres (frutados) comuns em suas similares europeias.   
Uma cerveja também muito refrescante, com teores alcoólicos menores e bastante drinkability. Elaborada com leveduras neutras e médias e altas doses de lúpulos americanos.
Dessa ideia surgiu a Dona Lala, uma american wheat feita com 50% de trigo e 50% de malte de cevada, "temperada" com dois amargores americanos, o cascade e o sorachi ace, um lúpulo com bastante notas cítricas e equilibrado no que diz respeito ao sabor e aroma.
Portanto, deixe de lado os preconceitos quanto a cerveja de trigo, pois se ela for bem feita é capaz de mudar até as péssimas impressões.
Zdrowie!

FAMÍLIA ZDROWIE

A Zdrowie tem conseguido ao longo dos meses produzir pequenas levas de boas cervejas. Inicialmente dois estilos formaram o preâmbulo de algo que pelo jeito não chegará a seu fim tão logo, afinal a vontade é crescente e a determinação aumenta a cada dia. 
Hoje já pude em companhia de muitos amigos provar nada menos que onze estilos diferentes de cervejas, e a vontade de elevar ainda mais a variedade não me deixa quieto. O mundo das cervejas é fantástico e tudo o que é possível fazer com suas misturas mirabolantes fascina o dia a dia. Cerveja não é só cerveja, é algo bem maior...
Alguns detalhes ainda necessitam ser ajustados, mas já é possível saborear boas e diferentes "beras", bastando escolher e ter a sorte de ter em tal momento disponibilidade de uma das poucas garrafas que são feitas com muito esmero e dedicação...
ªPrimeira - Blond Ale Belgian, Dunkelweizen, 100Censura - Strong Scotch Ale, StoAmargo - American IPA, DOM1880 - American Kölsch, 1974 - Especial IPA, SulReal - Dubbel, Dona Lala - American Wheat, StaPolaca - Pale Ale, Confraria171 - APA, NESS33 - Scoth Ale...

E aí? Que tal arriscar a sorte?

Zdrowie!